O ministro da Educação, Camilo Santana (PT), disse na segunda-feira (20) que pode deixar o comando do MEC para se dedicar à campanha de reeleição do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de outubro.
Camilo afirmou que tem até março para decidir. Segundo ele, a rotina do ministério o mantém distante do Ceará, estado que governou por dois mandatos e pelo qual foi eleito senador em 2022.
"Poderei voltar (ao cargo de senador) para me dedicar, porque vocês sabem que o papel de ministro é no Brasil inteiro, muitas vezes fica ausente no nosso estado. Vou me dedicar muito para que não haja retrocesso no Brasil e no Ceará", disse Camilo a jornalistas no MEC.
O ministro reafirmou apoio a Elmano e disse que a eventual saída não comprometeria o trabalho da pasta. "Temos até março para tomar a decisão. Quero dizer aqui claramente que meu candidato é Elmano Freitas. Vou trabalhar pra ele e o presidente Lula serem reeleitos", afirmou. "Temos uma grande equipe do MEC. O ministério está rodando bem. Não tenho dúvida que minha saída ou não jamais vai afetar o encaminhamento das ações do MEC."
A movimentação ocorre após o ex-ministro Ciro Gomes, que deixou o PDT e se filiou ao PSDB, se lançar candidato ao governo do Ceará e aparecer à frente nas pesquisas. Levantamento Ipsos-Ipec realizado entre 13 e 16 de dezembro apontou Ciro com 44% das intenções de voto, contra 34% de Elmano. Em um eventual segundo turno, Ciro venceria por 49% a 39%, segundo o instituto.
Para o PT e o entorno de Lula, manter o controle do governo cearense é considerado estratégico. O partido comanda o estado desde 2015, e o Ceará é um dos principais redutos eleitorais do presidente, além de ser o terceiro maior colégio eleitoral do Nordeste.
Camilo é visto como peça central na articulação política no estado. Em 2024, ele tirou duas semanas de férias para atuar na campanha de Evandro Leitão (PT) à prefeitura de Fortaleza, vitória que colocou o partido como o único a comandar uma capital no último ciclo eleitoral.
Do outro lado, Ciro tenta reunir a oposição ao governo petista, inclusive com interlocução com nomes ligados ao bolsonarismo no Ceará. Ele acenou ao deputado federal André Fernandes (PL), movimento que enfrentou resistência pública da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), contrária a uma aliança com Ciro.
Ciro também afirma discutir uma chapa com o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União) e com o ex-deputado Capitão Wagner. Segundo ele, ainda não há definição sobre quais cargos cada um disputará. A segunda vaga ao Senado permanece em negociação.
Fonte: O Globo