A China ampliou uma investigação sobre a PDD Holdings, controladora da plataforma Temu, após um episódio de agressão física entre funcionários da empresa e reguladores. Mais de 100 investigadores de diferentes órgãos foram enviados nas últimas semanas à sede da companhia, em Xangai, segundo pessoas familiarizadas com o caso.
As fontes afirmam que uma força-tarefa reúne agentes de órgãos como a Administração Estatal de Regulação do Mercado (SAMR) e a Administração Estatal de Tributação (STA). O grupo fez inspeções presenciais e passou a conduzir entrevistas. As pessoas ouvidas pediram anonimato por se tratar de um tema sensível.
De acordo com os relatos, a apuração trata de suspeitas que incluem entregas fraudulentas e questões tributárias. A investigação ganhou tração, em parte, depois de um confronto no mês passado entre funcionários da PDD e inspetores da SAMR.
O aumento do escrutínio já afeta o ritmo da empresa. As fontes dizem que campanhas de marketing previstas para o período que antecede o Ano Novo Lunar foram desaceleradas e projetos em andamento sofreram atrasos, enquanto equipes se preparam para novas inspeções e rodadas de perguntas.
No mercado, a notícia reacendeu a preocupação de investidores. As ações da PDD caíam cerca de 4% no pré-mercado em Nova York nesta terça-feira (20). O papel vinha de seis sessões consecutivas de queda e acumulava recuo superior a 12% desde 8 de janeiro.
Analistas do Citigroup afirmaram que os incidentes e a possibilidade de aprofundamento do escrutínio regulatório podem ter influenciado o desempenho recente do papel. Para o banco, uma abertura formal da investigação ou um comunicado voluntário da empresa reconhecendo a apuração pode intensificar as vendas das ações.
A PDD atravessa um momento de maior pressão no comércio eletrônico chinês. Em novembro, a companhia alertou para desaceleração do mercado doméstico, em meio à concorrência com grupos como Alibaba e JD.com.
Procurados, representantes da PDD, da SAMR e da STA não responderam aos pedidos de comentário.
A SAMR tem papel central na supervisão do setor, especialmente após a investigação antitruste que atingiu a Alibaba em 2020 e abriu um ciclo de ações regulatórias sobre empresas de tecnologia. A expansão internacional da Temu, que disputa espaço com a Shein nos Estados Unidos e na Europa, também aumenta a exposição da PDD a diferentes frentes de fiscalização.
Nos últimos meses, as autoridades chinesas reforçaram a vigilância sobre plataformas digitais e comércio eletrônico. Em 2025, fiscais exigiram pela primeira vez o envio de dados de vendas por grandes empresas do setor, em uma iniciativa voltada a coibir evasão. Regras recentes também passaram a proibir plataformas de pressionarem comerciantes a aderir a promoções. Reguladores abriram ainda uma investigação sobre a Trip.com.
Fonte: O Globo