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POLÍTICA

Planalto monta agenda de viagens para novo ministro da Justiça em ano eleitoral

Planalto e Ministério da Justiça preparam roteiro de viagens para Wellington César Lima e Silva dar visibilidade a ações de segurança pública e destravar agenda no Congresso em ano eleitoral.
Brasília (DF), 13/01/2026 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou Wellington César Lima e Silva para assumir o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública, em substituição ao ex-ministro Ricardo Lewandowski.
Ricardo Stuckert/PR

O Palácio do Planalto e o Ministério da Justiça preparam um calendário de viagens pelo país para o novo ministro Wellington César Lima e Silva ampliar a exposição do governo na pauta da segurança pública em ano eleitoral. A estratégia começou a ser desenhada no dia em que ele foi escolhido para substituir Ricardo Lewandowski.

O roteiro deve incluir entregas e visitas a cidades consideradas estratégicas, com foco em ações federais que envolvam integração com governos estaduais, uso de inteligência entre forças de segurança e medidas voltadas ao combate ao crime organizado. Cada deslocamento, segundo auxiliares, será alinhado ao núcleo mais próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A avaliação no Planalto é que a segurança pública será um dos principais temas da disputa deste ano. Integrantes do governo trabalham para responder à narrativa da oposição de que a gestão petista se omite diante do avanço da criminalidade.

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A linha definida aposta no discurso de combate às facções com inteligência e cooperação entre União, estados e demais órgãos do Estado. O governo também pretende reforçar a abordagem de atingir as estruturas financeiras do crime organizado.

Na fase inicial, Lima e Silva tem mantido articulação com auxiliares do Planalto. Entre os nomes citados por interlocutores estão o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, e a secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior. O advogado-geral da União, Jorge Messias, e o indicado por Lula ao Supremo Tribunal Federal (STF) também têm apoiado o ministro neste começo de gestão, segundo governistas.

Um integrante do governo com trânsito no Planalto afirma que a expectativa é que Lima e Silva se torne o principal porta-voz do Executivo no tema, como forma de reduzir a exposição direta do presidente.

Na primeira fala pública após assumir, o ministro gerou desgaste ao afirmar a jornalistas que a crise do Banco Master teria sido o "eixo" de uma reunião com Lula e autoridades do Executivo e do Supremo. Diante da repercussão, a Secom negou a versão do ministro publicamente. O episódio levou integrantes do governo a defender que ele passe por treinamento de comunicação.

Lima e Silva assumiu na semana passada com a missão de priorizar o combate às facções e destravar a agenda legislativa do governo sobre segurança. Entre os projetos em foco estão a PEC da Segurança Pública e o chamado PL antifacção.

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), afirmou nas redes sociais que o novo ministro terá de "percorrer o país" e reforçar a coordenação entre os entes federativos, combinando inteligência, investigação e presença institucional.

Em paralelo, o ministro finaliza conversas para mudanças internas na pasta. Das oito secretarias do ministério, ele pretende substituir ao menos quatro, incluindo a secretaria-executiva, a Secretaria de Segurança Pública, a de Assuntos Legislativos e uma quarta ainda em definição.

Outro eixo do início do trabalho será a aproximação com o Congresso. O ministro quer se reunir com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), no primeiro dia de atividades legislativas de 2026.

A PEC da Segurança, que amplia o papel do governo federal na gestão do setor, é uma das prioridades. O texto tramita desde abril do ano passado e foi alterado pelo relator, Mendonça Filho (União-PE), em mudanças que, segundo o governo, podem comprometer o avanço da proposta.

Mendonça Filho elogiou o novo ministro e disse esperar retomada do diálogo entre Executivo e Legislativo nos próximos dias. Segundo o deputado, dois interlocutores de Lima e Silva já o procuraram e há expectativa de reunião ainda nesta semana.

Fonte: O Globo

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