Anúncio
TECNOLOGIA

IA e drones localizam corpo de alpinista desaparecido nos Alpes italianos

Equipes de resgate do Piemonte usaram drones e um software de IA para analisar milhares de imagens e localizar, em julho de 2025, o corpo do alpinista e médico Nicola Ivaldo, desaparecido desde setembro de 2024 no Monviso, nos Alpes italianos.
São Paulo (SP), 30/08/2025 - Festival de Luzes de São Paulo apresenta Show de drones no Parque do Ibirapuera.
Paulo Pinto/Agência Brasil

Equipes do Serviço Nacional de Resgate Alpino e Espeleológico do Piemonte (CNSAS) localizaram com ajuda de inteligência artificial e drones o corpo do alpinista e cirurgião ortopédico italiano Nicola Ivaldo, de 66 anos, desaparecido desde setembro de 2024 nos Alpes italianos. Ele foi encontrado em julho de 2025 em uma ravina na encosta norte do Monviso, a cerca de 3.250 metros de altitude.

Ivaldo saiu sozinho para a montanha em um domingo e não informou familiares ou amigos sobre o destino. A ausência no trabalho na segunda-feira levou autoridades a emitirem um alerta. A principal pista veio do carro dele, achado na vila de Castello di Pontechianale, no Vale de Varaita, e do último sinal do celular, que indicava a área dos picos Monviso (3.841 m) e Visolotto (3.348 m).

A informação direcionou, mas também ampliou o desafio. Segundo o porta-voz do CNSAS, Simone Bobbio, a região reúne centenas de quilômetros de trilhas e múltiplas rotas de escalada, com penhascos e desfiladeiros que dificultam a varredura.

Anúncio

Nos primeiros dias após o desaparecimento, mais de 50 socorristas fizeram buscas a pé por quase uma semana, enquanto um helicóptero sobrevoava repetidamente as encostas. Mesmo com tempo bom e trilhas movimentadas, ninguém relatou ter visto Ivaldo. Com a primeira neve no fim de setembro, as equipes interromperam a operação e só a retomaram no verão seguinte, após o degelo.

Na retomada, em julho de 2025, o resgate incorporou um software de IA para analisar imagens captadas por drones. Dois equipamentos levaram cerca de cinco horas para registrar fotografias em alta resolução de penhascos e ravinas. O programa examinou pixel a pixel e destacou áreas com “anomalias” de cor e textura, indicando pontos prioritários.

O mau tempo adiou a checagem imediata em campo, mas três dias após o reinício das buscas o corpo foi encontrado em um dos locais sugeridos pela IA. “A chave foi um capacete vermelho identificado como ponto de interesse pelo software”, disse Bobbio. Um helicóptero fez a remoção.

O piloto de drones e chefe da estação de resgate em Turim, Saverio Isola, afirmou que a equipe combinou dados de missões anteriores com o estudo de rotas que poderiam ter atraído um montanhista experiente. Com um helicóptero, dois pilotos foram posicionados no alto das encostas para operar os drones mais perto das ravinas. A cobertura chegou a 183 hectares e gerou mais de 2.600 fotos.

Isola explicou que, sem automação, a análise exigiria inspeção manual de imagem por imagem. Com o software, os alertas surgiram em poucas horas, mas exigiram triagem humana. “O software podia reagir a coisas como lixo plástico ou uma rocha com cor incomum. Ele podia até ‘alucinar’”, disse. A equipe refinou os pontos com base no terreno e na rota provável.

As buscas se concentraram em três locais, um deles com um objeto vermelho. No dia seguinte, o drone confirmou que o ponto era o capacete de Ivaldo. O corpo estava mais abaixo, parcialmente coberto de neve e com roupas escuras. Segundo Bobbio, o sistema detectou o vermelho mesmo com o capacete na sombra.

A experiência reforçou o interesse de equipes europeias por IA em missões de busca, com registros anteriores na Polônia, na Áustria e no Reino Unido. Ao mesmo tempo, especialistas apontam limitações: drones e algoritmos têm desempenho menor em áreas com vegetação densa e em cenários montanhosos complexos, que podem gerar falsos positivos.

Também há debate sobre uso e guarda das imagens. Daniele Giordan, do Instituto Italiano de Pesquisa para Proteção Hidrogeológica (IRPI), afirmou que a captura de imagens aéreas traz responsabilidades e possíveis implicações legais, especialmente quando algoritmos tentam identificar formas humanas. Pesquisadores trabalham em sistemas que indiquem coordenadas mais precisas e permitam integração de dados e análise em tempo real durante os voos.

Fonte: O Globo

Anúncio

Leia também